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A historiografia da História da Farmácia portuguesa e, em

sentido abrangente, também a da História da Medicina portuguesa,

possui nos séculos XVI e XVIII os seus dois principais recortes

temporais. O primeiro, que também encontra predileção em outros

campos da pesquisa histórica em Portugal, está diretamente ligado à

expansão ultramarina que esteve em decurso durante o período. Entre

as consequências imediatas da ocupação e exploração do Novo

Mundo, África e Oriente, os portos portugueses foram abastecidos

com inúmeros novos frutos, plantas, raízes, folhas, animais e compostos

naturais. A assimilação dessas drogas ao arsenal terapêutico

do país, também representou um incremento considerável nas técnicas

de cura, incorporação de inúmeras publicações médico-farmacêuticas

nacionais e fonte de lucro comercial (Sousa 2013, p. 47).

Assim, a colonização do Brasil repercutiu diretamente nas formas

como a medicina e farmácia eram praticadas em Portugal. Tal

processo, ainda que ocorrido durante o período dos descobrimentos

ultramarinos, não esteve limitado apenas ao século XVI. Antes, os

reflexos dos desdobramentos históricos refletiram diretamente no

segundo período. As mudanças relacionadas ao encontro da farmácia

portuguesa com a natureza terapêutica brasileira se processaram

em um movimento de longa duração e que assume diferentes estágios

conforme o tempo, aumento das publicações ligadas à natureza

brasílica, interesse comercial, influência científica e expansão das

fronteiras geográficas colonizadas

Como resultado, a pesquisa espera articular uma discussão

que relacione temas que geralmente são tratados em momentos distintos

pela historiografia. Assim, a intenção é abordar a assimilação

das drogas brasileiras pelo pensamento médico-farmacêutico português,

o que usualmente está circunscrito às pesquisas relacionadas

ao século XVI, e sua correspondência com a mudança paradigmática

em curso durante o século XVIII. Ao longo do texto o objetivo foi

demonstrar que existe uma relação direta entre as plantas medicinais

brasileiras e o cenário farmacêutico português do século XVIII.