O trabalho do historiador é fundamentalmente de investigação. Investigação de indivíduos e/ou grupos no âmbito de um contexto histórico específico. Investigação das suas relações sociais, institucionais e estruturais. Em última instância, investigação das relações mútuas entre indivíduo e sociedade. Pensar a sociedade na sua historicidade – como produto histórico e possuidora de uma história – é fundamental para desmitificá-la como algo natural, posto e imutável. Tudo muda, tudo se transforma e a ação dos homens no tempo é o motor desta transformação.
O historiador se interessa pelo passado em função dos temas e das questões sociais vividas no presente. Podemos então dizer que são os problemas atuais que movem os interesses deste profissional aos eventos do passado, a fim de estudá-los para a compreensão do presente e perspectivas de futuro. Afinal de contas, o passado lega ao presente um conjunto de relações sociais, institucionais e estruturais que nos afetam e que precisamos conhecer e entender para resolvermos as dificuldades que nos afligem e traçarmos um futuro menos desigual e excludente.
O Brasil recente assistiu episódios sociais de racismo, misoginia, transfobia, violência doméstica, ataques à democracia, aos direitos humanos, sociais/assistenciais e trabalhistas, com um forte discurso de intolerância e ódio. São questões atuais e para entendê--las temos que mergulhar na história da sociedade brasileira. Porém, uma questão forte que veio à baila nesse contexto atual foi a do trabalho e do trabalhador. Várias investidas de grupos políticos alinhados à extrema-direita foram operacionalizadas contra o trabalho e o trabalhador. No que tange ao primeiro, estes grupos radicais têm se esforçado em deslocar a importância do trabalho como produtor de riquezas para o capital, como se este sozinho produzisse alguma coisa. Seguindo esse caminho, o trabalhador, para eles, deveria assumir a condição de “tutelado” pelo patrão, sem muitos direitos, que necessitariam ser retirados, e mais deveres, que precisariam ser realçados. O que é proposto ao trabalhador aqui é uma existência ao nível da sua reprodução fisiológica. Não há exploração do trabalho?!
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