Antropologia e indigenismo possuem mais diferenças entre si do que se presume diante da frequente sobreposição de suas temáticas e sujeitos. A verdade é que são campos de pensamento e atuação com propósitos muito distintos, cuja harmonização é frequentemente desafiadora. Os quatro relatórios aqui coligidos são frutos da conjugação circunstancial entre o conhecimento antropológico e a ação indigenista na região do Vale do Javari. O primeiro deles corresponde à prática indigenista propriamente dita, tendo sido produzido na condição de agente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Os três restantes são produtos, por sua vez, do exercício da antropologia na qualidade de perito do Ministério Público Federal (MPF). Alicerçados no conhecimento antropológico sobre os grupos étnicos da região, tais relatórios foram apresentados originalmente como peças técnicas pautadas por demandas próprias do campo indigenista. Em todo caso, o leitor poderá notar que é justamente no trabalho “indigenista” da Funai que os dados propriamente “antropológicos” são expostos de forma mais ampla, enquanto os trabalhos “antropológicos” produzidos no âmbito do MPF versam sobre temas claramente “indigenistas”.
O Vale do Javari é uma das regiões mais remotas da Amazônia brasileira. Localizado no extremo ocidental do Estado do Amazonas, na fronteira com o Peru, o Javari é a pátria de um conjunto de povos indígenas que têm características socioculturais e graus de contato diferenciados. A região contém a segunda maior terra indígena do país e é conhecida por possuir, quiçá, a maior concentração de índios isolados do mundo. A Terra Indígena (TI) Vale do Javari abrange quase toda a bacia da margem direita do rio Javari e se espraia em direção ao curso superior dos rios Jandiatuba e Jutaí. Ela abriga hoje sete povos indígenas em contato, integrantes das famílias linguísticas Pano e Katukina, e outros quinze registros de grupos em isolamento voluntário. Os povos indígenas dessa região da Amazônia vêm sofrendo, no derradeiro século e meio, a ação de sucessivas vagas de caucheiros, seringueiros, madeireiros, caçadores, pescadores, petroleiros e garimpeiros não indígenas. A intensa fricção interétnica gerada pela exploração desenfreada de produtos naturais nos territórios indígenas trouxe à ordem do dia a necessidade de demarcação e proteção das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios nessa região. Nas últimas cinco décadas, a consolidação do contato interétnico fez emergir problemáticas comuns a outros povos amazônicos nas áreas de saúde e educação indígenas.
Características adicionales:
- Formato: 16x23
- É marca destacada: Não
- É formato bolso: Não
- Idade máxima recomendada: 80 anos
- Autor: Walter Coutinho
- Capa do livro: Mole
- Gênero do livro: antrpologia
- Editora do livro: ALEXA CULTURAL
- Subgêneros do livro: indigenismo
- Título do livro: Vale do Javari: indigenismo e antropologia
- ISBN: 9786589677451
- Altura: 23 cm
- É marca TOM: Não
- Condição do item: Usado
- Idioma: Português
- Idade mínima recomendada: 10 anos
- Tipo de narração: Manual
- Quantidade de páginas: 600
- Ano de publicação: 2021
- Peso: 430 g
- Largura: 16 cm
- Com realidade aumentada: Não
- Com páginas para colorir: Não