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Minha história inicia oficialmente em 21 de novembro de 1988

na cidade de Parintins1, interior do estado do Amazonas e fronteira com

o Pará. Minhas memórias se ligam aos meus antecedentes maternos,

pois minha avó nasceu no Paraná da Águia, interior do município de

Parintins e meu avô era oriundo da cidade de Faro, Pará. Eles construíram

a família em uma trajetória que encontrou sua principal residência

na casa localizada à Rua São Benedito, no bairro homônimo, lado

ocidental da cidade de Parintins.

Minha mãe relata que minha avó contava com ascendência indígena

e portuguesa, enquanto meu avô mostrava a negritude paraense.

Passei muito tempo com minha avó ouvindo as histórias da família,

entre as quais estavam relatos de parentes que tinham o dom para a cura

e sensibilidade mediúnica e também as ocorrências de racismos que,

posteriormente, fui entender. Os termos morena, mulata e mestiça estavam

constantemente presentes nas memórias que minha avó narrava a

mim e ao meu irmão. Não cheguei a conhecer o meu avô, mas senti que

pouco se falou sobre a história dele. Ele, então, foi o primeiro negro que

gostaria de conhecer e saber sobre suas vivências para além do contexto

familiar que conheci.

Os questionamentos sobre a identidade étnica vieram desde a

infância, pois eu já me considerava muito diferente do meu irmão e da

minha mãe. Hora ou outra, alguém perguntava o porquê de meu irmão

ser moreno e eu ser bem branca. Alguns duvidavam do fato de sermos

filhos da mesma mãe e pai. Minha avó chamava a minha mãe de morena

e nunca perguntei diretamente a ela o motivo desse apelido, mas

pensava muito a respeito.