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Este texto foi originalmente escrito e apresentado como tese de doutorado ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Para publicação em formato de livro foi atualizado alguns dados documentais, supressão e deslocamentos de parágrafos e/ou subtópicos, mantendo na íntegra a substancialidade do estudo e da escrita.

Inicialmente não era minha intenção transformar a tese em livro impresso, visto que o texto original está publicado no site do PPGSS/UFPA. Por isso, priorizei a organização de dois artigos em formato de sínteses que foram publicados em periódicos da área do Serviço Social. Contudo, em diálogo recente com pessoas próximas, fui convencido da importância do livro porque conta em miúdos a trajetória de construção da pesquisa, bem como é uma obra muito representativa para mim e para as pessoas participantes da pesquisa.

No formato de tese, o trabalho foi intitulado Eu vou arriscando o último palito de fósforo: movimento indígena e quilombola e a Política de Assistência Social no Meio Rural Amazônico. A metáfora do título está contida no relato de Maria Amélia dos Santos Castro, uma das lideranças quilombolas participantes da pesquisa de campo. O uso da expressão pela entrevistada faz referência, hoje, aos movimentos sociais de povos originários e comunidades tradicionais quando, na luta por conquistas, reafirmações e acesso a direitos, arriscam tudo o que têm. É o último fósforo que, uma vez em chamas, ilumina as possibilidades de lutas e resistências dos movimentos. Como diz Maria Amélia, ou a gente arrisca ou ficamos fadadas/os às dúvidas de não ter tentado. Em outro momento do diálogo, ela reflete que, em uma conjuntura política, social e econômica adversa, é preciso ir para o enfrentamento, senão corre-se o risco de perder os direitos já conquistados.