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Os estudos sobre as aproximações e distanciamentos entre a Igreja Católica e a ditadura militar no Brasil – e nos demais países sul-americanos – têm ganhado folego nos últimos anos. A tensão entre a neocristandade e o aggiornamento após a segunda guerra mundial; os valores emergentes, articulados no Concílio do Vaticano II (1962-1965); a tensão e o apoio ao golpe militar em 1964; a ressignificação da Ação Católica na JEC, na JOC, na JUC; a emergência da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais de Base; a articulação da igreja dos pobres; e a organização do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972, e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975, evidenciam o processo de renovação da igreja romana. 

 

Atentos a estes processos, em A guerra fria na Igreja Católica no Brasil: as denúncias de D. Sigaud contra o Bispo do Araguaia (1968 – 1977), os autores lançam luz sobre os conflitos entre Dom Geraldo de Proença Sigaud e Dom Pedro Casaldáliga Plá. A partir da denúncia de subversão do bispo dos pobres ao Núncio Apostólico e ao presidente da república, por parte do bispo anticomunista, a obra traz uma importante contribuição para o entendimento do contexto histórico da década de 1970. A pesquisa meticulosa com fontes primárias ainda pouco exploradas, elaboradas pelos próprios órgãos de segurança, torna o livro ainda mais singular. Trata-se de um trabalho de caráter propedêutico; um convite ao leitor a explorar, com profundidade, um tema tão desafiador quanto fascinante.