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Ao longo do século XX – era de utopias e barbáries – a questão indígena e o indigenismo passaram por transformações substanciais. Egydio Schwade começou a se dedicar à temática no início da década 60. Acompanhou de perto eventos críticos, como o Massacre do Paralelo 11, em 1963; e, o genocídio decorrente dos grandes projetos na Amazônia. Por outro lado, participou da criação da Pastoral Indigenista, no âmbito da Igreja Católica; foi co-fundador da Operação Anchieta, em 1969; e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972. Em 1980, denunciou as violações dos direitos dos povos indígenas no IV Tribunal Russell, em Roterdã. Em 1983, participou da criação do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari (MAREWA). Já em 1990, novamente levou ao Tribunal dos Povos, em Paris, casos de agressões contra os povos indígenas. 

Neste percurso, testemunhou a consolidação do movimento pan-indígena, organizado nas assembléias indígenas, a partir de 1974; e a renovação do indigenismo ecumênico na Igreja Católica e o trabalho encarnado da Operação Anchieta, hoje Amazônia Nativa. Em suas próprias palavras, “um mutirão de pessoas e entidades”, dedicado a lutar ao lado dos povos indígenas, em defesa de seus territórios, pela valorização de suas culturas, bem como pela conquista do seu protagonismo político. Com os textos coligidos nesta obra, encontramos uma análise aguçada de momentos emblemáticos da construção da resistência indígena, da luta pelos direitos humanos e da proteção ao meio ambiente. A história do Brasil, contada a partir de uma perspectiva singular, narrada por um dos seus protagonistas.