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A história da leitura é vasta e complexa, manifestada culturalmente na presumida prática de decodificar palavras. A palavra como chave interpretativa percorreu séculos, desde os gregos em que ler é distribuir ou percorrer, os medievais ao guiarem a leitura pelo espírito e aos românticos alemães assaz voltados para as intenções do autor.

Nas últimas décadas, essa história é explorada muito bem pela crítica literária e suas nuances, de Roman Ingarden, Robert Jauss a Wolfgang Iser, assim como nos historiadores Roger Chartier e Guglielmo Cavallo. Entretanto, algo parece passar despercebido no tempo e na prática: a resistência à leitura.

Parece que o ato de ler vem sendo resumido como algo bemsucedido,sem que as palavras manifestem resistência alguma. Pelo contrário, ao se negar as resistências presentes em toda palavra, nega-se a leitura. O exercício da resistência é experimentado no confronto primordial

com a escrita literária, especialmente em decorrência de sua condição subversiva por excelência, sempre questionando os limites da comunicação. Ora, não há leitura literária e isso não é uma negação absoluta, radical. O que há é a resistência à leitura literária, a fronteira abissal entre a legibilidade e a sua negação.